Confira a entrevista com o professor Eduardo Berndt, que no dia 28 de janeiro conduziu a palestra “A neurologia da empatia e o papel da educação na formação de uma melhor humanidade” na Semana Pedagógica do Colégio Terra do Saber.
A palestra faz parte do projeto Escola da Família, direcionado para pais e responsáveis, tendo encontros bimestrais com palestras.
Para visualizar os melhores momentos da palestra acesse: https://www.youtube.com/watch?v=7yP4QiIrBEs
Eduardo é palestrante, professor e instrutor. Especialista em Neurociências e comportamento. Atua no desenvolvimento humano, profissional e empresarial.
Porque é importante entender a neurologia por traz da empatia? Todos nós nascemos com a capacidade de sermos empáticos?
Somos a espécie mais social de todas. Nascemos para viver no coletivo. Quase nada somos quando sozinhos. Se observarmos bem, todas as conquistas da humanidade foram obtidas por meio de ações coletivas, nunca pensadas e operadas por um único indivíduo. Precisamos da mobilização e engajamento de pessoas para que grandes passos sejam dados. A neurologia é a ciência que estuda e trata o sistema nervoso, fisiologicamente. Compreender a empatia a partir de estudos neurológicos é a prova de que nosso cérebro é todo preparado para a convivência. É a ciência provando que a empatia faz parte de nossa natureza, e portanto, a maior prova de que nossa melhor habilidade é a de conseguir conviver, pensar projetos comuns e também realiza-los no coletivo.
Como você define empatia?
Existe algo que precisa ser desmistificado: empatia não é se colocar no lugar do outro. Até porquê, se você se colocar no lugar do outro, quem estará lá, será você, e não o outro. Precisamos entender definitivamente que cada indivíduo é único e que existe nele um grande mundo, também único. Segundo a ciência, a empatia é a capacidade que o indivíduo possui de reconhecer as emoções (saber o que está sentindo), identificar a emoção sentida (dar nome a ela, e compreender sobre ela), espelhá-la, ou seja, ver a emoção no outro indivíduo e assim conseguir compreender o outro e devolver um comportamento adequado.
Qual o papel da educação na formação de pessoas mais empáticas, e porque isso é importante para a humanidade?
Empatia tem a função de promover o autoconhecimento, a percepção e compreensão do outro e a desenvolver a capacidade de por meio de um comportamento adequado, fortalecer a convivência e a união genuína de um grupo. Estudos neurocientíficos comprovam que a empatia é um processo de aprendizado, portanto, conseguimos promover estimular a formação da empatia nos indivíduos. Por final, a empatia é a essência humana em relação ao cuidado com o próximo e quanto mais empáticos formos, mais humanos seremos. E quais conquistas obteremos? Uma sociedade menos cruel, menos individualista e muito mais comprometida com as necessidades dos outros.
Como o autoconhecimento é importante para a melhoria das relações humanas?
Tudo começa no autoconhecimento, é ele que permite entender quem somos e explica por que agimos desta ou daquela maneira. E mais, é por meio do autoconhecimento que desenvolvo a capacidade de compreensão sobre o outro, só assim, eu consigo propagar esse conhecimento entendendo a ação e o movimento do outro, por fim, me conhecendo e compreendendo melhor o outro, passo a ter condições de tomar decisões mais assertivas, ampliando a convivência. .
Além dos professores, qual o papel dos pais nessa formação de cidadãos mais comprometidos com o todo?
Promover condições de construirmos uma melhor humanidade e continuar nosso papel evolutivo de uma melhor sociedade, não é papel de uma pessoa ou um grupo. É papel de todos, cada pessoa e cada grupo deve se tornar responsável por essa construção. Os educadores, com suas habilidades e metodologias são incríveis em suas construções. Aos pais, cabe o acompanhamento constante dessa construção. Eles são os responsáveis legais pelo cidadão que estão criando para continuar nossa humanidade. Acompanhar, aprender sobre o tema, expor e conversar sobre o tema dentro de casa é a maior construção que pode haver. É na família que vemos e compreendemos as emoções e a convivência de modo pleno. Esse ambiente é um tesouro quando falamos de empatia, engajamento, cumplicidade e cuidado para com os seus.
